Prefeitura de Curitiba

Portal Administrativo do Município

Curitiba, 21 de outubro de 2017
   

Escola envolve comunidade em projeto integral de sustentabilidade

21/04/2017
capa

O Centro de Educação Integral Bela Vista do Paraíso, no Santa Cândida, promoveu nesta semana o segundo encontro para reunir pais e mães interessados em educação e cidadania. Gratuito, o evento é um projeto implantado neste ano para dar suporte às ações de sustentabilidade em andamento desde 2015 na escola.

“Precisamos dos pais mais presentes e não importa que apareçam só 20 pessoas. Serão mais 20 representantes da comunidade interessados em conhecer e, quem sabe, participar das nossas ações de sustentabilidade”, explica a diretora do CEI, a professora de Educação Física Adriana Filippetto. Drica, como é conhecida, é especializada em Administração Pública, Gestão de Pessoas e Práticas Sustentáveis.

A meta por trás dos encontros é estreitar o relacionamento família-escola e, além de pais, envolver irmãos, amigos e vizinhos dos estudantes nas estratégias de promoção coletiva desenvolvidas pelo Centro de Educação Integral. Entre elas estão proporcionar educação integral com os conhecimentos aprendidos em sala de aula sendo aplicados em atividades práticas ao ar livre e manter o prédio bem conservado e agradável para alunos, professores e funcionários com a colaboração da comunidade.

Este é o conceito de sustentabilidade que a diretora da escola repassa continuamente às mais de 700 pessoas que passam pela escola todos os dias. “É bem mais que ter uma horta bonita ou o lixo recebendo a destinação correta. É anterior a isso. Começa quando toda a comunidade entende o sentido de cultivar a terra e, mais que separar resíduos, pode diminuir a sua geração”, resume.

Apesar de recente, a proposta já deu resultados e mobiliza, de início, toda a comunidade escolar. As conquistas são registradas e publicadas pelos repórteres mirins da escola no jornal eletrônico Extra, Extra, hospedado no portal Cidade do Conhecimento, da Secretaria da Educação de Curitiba.

Um deles pode ser conferido por quem transpõe o muro que separa a rua da escola e observa o espaço. Vasos de plantas bem cuidados decoram o ambiente, assim como bancos rústicos feitos com antigos pallets de madeira e móbiles criados com CDs – tudo produto da criatividade dos 31 alunos do curso noturno de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Mãozinhas na terra

Do primeiro pátio para dentro, o espaço é das 600 crianças que se revezam entre o ensino regular em um turno e as práticas dos conteúdos teóricos aprendidos em sala no outro. São elas as responsáveis pela manutenção de três jardins – um com rosas, outro com suculentas cultivadas até mesmo na cuba de uma antiga pia e o terceiro somente com plantas que se destacam por aromas e texturas, batizado de Jardim dos Sentidos.

A meninada também cuida da chamada Horta Cabloca - 47 plantas, todas orgânicas, como algodão, alecrim, abóbora, losna e lichia. Elas convivem lado a lado, a poucos palmos de distância umas das outras, apesar de serem tão diferentes. Cada planta é identificada por uma plaquinha, que as crianças não têm dificuldades em recolocar no lugar quando, de propósito, a diretora as retira dos lugares corretos.

A unidade também tem uma composteira, que produz terra fértil a partir dos restos de alimentos separados e ali compactados. Como a quantidade de lixo que sobra para a coleta diminuiu, a antiga faixa de terreno que ele ocupava foi transformada em sala de contação de histórias ao ar livre.

E em breve, um canteiro formado por duas árvores secas dará lugar ao cultivo de orquídeas. Diretora e estudantes planejam como conseguirão as mudas da flor.

Mutirão para revitalização

A participação da comunidade não para aí. Os moradores se envolvem no projeto de sustentabilidade local. Foi assim com a renovação da pintura das salas de aula, no ano passado, para receber os móveis de segunda mão – mas em melhor estado – que Drica conseguiu junto a outra escola, contemplada com mesas e cadeiras novas. Feita com doações de sobras de tinta, a revitalização da pintura interna resultou de um mutirão formado pelas professoras, seus maridos, amigos e vizinhos.

Além disso, três aposentados do bairro ajudam na segurança. De suas casas, a partir de monitores de vídeo, eles se revezam conferindo cada imagem revelada pelas quatro câmeras instaladas a partir da escola e avisam a diretora quando alguém ou algo estranho acontece nas imediações. É o projeto Vizinho Seguro.

Cidadania

Educação política e voltada para as questões de gênero também entram no conceito de sustentabilidade e nas práticas da meninada. Demandas dos estudantes e intervenções propostas por eles para a escola são propostas por meio dos senadores mirins – uma menina e um menino eleitos em cada sala.

São 44 titulares e 44 suplentes encarregados de fazer a interface entre as crianças e as gestoras da unidade, como Maria Eduarda Caldeira e Bruno Coleti, ambos com 10 anos. É necessário que cada sala eleja sempre um menino e uma menina.

A questão de gênero, conta Adriana Fillippeto, também é assunto do projeto Mais Marias. Sua proposta é abordar com as crianças mais velhas e com a comunidade do que se trata, como acontece e as formas de se prevenir a violência doméstica contra as mulheres. “Sustentabilidade é isso também, são formas de trazer a felicidade para as pessoas pela educação e pela participação”, conclui.

 

Imprimir | Voltar