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Curitiba, 20 de agosto de 2017
   

Revelação do judô dá aulas voluntárias na aldeia indígena Kakané Porã

19/06/2017
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Todos os sábados, na aldeia Kakané Porã, no Tatuquara, diversas crianças e adolescentes se preparam para participar das aulas de judô do programa Escola + Esporte =10 (EE10). As atividades começaram em março deste ano, em uma iniciativa da Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude (Smelj) e do judoca José Ubirajara Luiz Paraná Junior, de 14 anos, que se voluntariou para ensinar os jovens.

“Um dia eu tive a oportunidade de fazer aulas gratuitas de judô e isso mudou minha vida. Agora eu tenho a possibilidade de ajudar os outros, ensinar as técnicas e, especialmente, os valores que o esporte possui”, afirmou Junior, que nasceu e vive na aldeia Kakané Porã.

Considerado uma das principais revelações do esporte paranaense e beneficiário da Lei Municipal de Incentivo ao Esporte, o jovem judoca já conta com uma turma de 20 alunos e destaca que o interesse pelo esporte não para de crescer na aldeia.

Para tornar o projeto realidade, a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude e a Federação Paranaense de Judô forneceram tatames, quimonos e suporte para o desenvolvimento das atividades de judô dentro da aldeia Kakané Porã.  

“Desde o início do ano buscamos ampliar as ações sistemáticas em espaços alternativos, que facilitam o acesso e democratizam a prática esportiva. Contar com o apoio de um jovem atleta como o José Ubirajara, que nasceu na aldeia e serve de exemplo para os mais jovens, agrega ainda mais valor às atividades”, destacou o secretário municipal do Esporte, Lazer e Juventude, Marcello Richa.

Promover as atividades dentro da aldeia também representou o primeiro contato com o esporte para muitas crianças e adolescentes. Nicolas André Pereira, de oito anos, afirmou que antes só conhecia o judô pela internet e que agora pretende seguir carreira no alto rendimento. “Já participei pela primeira vez de uma competição no Festival de Judô, no Ginásio do Tarumã. Agora quero treinar mais para ganhar medalhas e me tornar uma atleta.”

“Nunca tivemos esse tipo de atividade aqui na aldeia e agora temos a chance de praticar judô do lado de casa”, disse Elisama de Paula, de 12 anos. “O mais legal é ter o Junior como professor, porque ele é bastante atencioso e nos incentiva muito a treinar e crescer no esporte.”

Os bons resultados e dedicação nos treinos também estimularam outros membros da família de Junior a praticar judô, como é o caso de sua irmã, Alanis Raimundo Paraná, de nove anos. “Comecei esse ano e estou adorando as aulas. Quero seguir os passos do meu irmão, que é um exemplo para todos nós.”

Trajetória

José Ubirajara Luiz Paraná Junior começou no judô de maneira despretensiosa. Certo dia, quando voltava do trabalho, seu pai enxergou algumas crianças de quimono na rua e descobriu que elas praticavam o esporte em uma associação de moradores no bairro do Tatuquara.  

“Comecei no judô apenas por curiosidade quando tinha nove anos, depois que meu pai falou das aulas e me levou até a associação. Em pouco tempo passei a praticar no Dojo Tonietto, a participar de campeonatos e me dedicar para melhorar e superar objetivos”, disse José Ubirajara.

Com aptidão para o judô, rapidamente cresceu no esporte e apenas três meses depois de iniciar as aulas já participava de campeonatos. Pouco tempo depois já viriam as primeiras conquistas de expressão, com a 3ª colocação no Campeonato Brasileiro Região V, em 2015, e nos Jogos Escolares da Juventude 12 a 14 anos, disputados na Paraíba em 2016.  

Com bons resultados e metas mais audaciosas, Junitor apresentou projeto para a Lei de Incentivo ao Esporte, que foi aprovada esse ano e permitiu que tivesse um suporte financeiro para equipamentos, treinos, transporte e viagens. Competindo em torneios com adversários qualificados, aprimorou técnicas e em junho deste ano conquistou seu melhor resultado ao sagrar-se campeão no Campeonato Brasileiro Região V Sub-18 na categoria -55kg, que garantiu vaga para disputar o Mundial Escolar Combat Games, de 7 a 15 de junho, em Nova Dehli, na Índia.

 

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