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Curitiba, 17 de agosto de 2018
   

Pessoas com deficiência visual pedem garantia dos direitos

09/08/2018
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A Assessoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência (PcD) promoveu na quarta-feira (8/8) o I Encontro de Pessoas com Deficiência Visual. Na sede da assessoria, na Rua Schiller, 159, no Cristo Rei, pessoas cegas apresentaram as principais demandas da comunidade para a elaboração de políticas públicas que atendam essas necessidades.

A primeira demanda foi a ampla divulgação da lei federal que permite a circulação da pessoa com deficiência visual e seu cão-guia em todos os estabelecimentos públicos e privados, com exceção da área de isolamento hospitalar e de manejo de alimentos – cozinha de restaurantes, por exemplo.

“É importante ressaltar que há garantia legal para que a pessoa cega acompanhada do cão-guia possa circular em todos os espaços. O que ocorre é que alguns cidadãos não têm informação e dificultam esse acesso, que pode ocasionar a interdição do local e multa”, explica Denise Moraes, coordenadora da Assessoria da PcD.

Em Curitiba, seis pessoas têm cão-guia. Roberto Leite, fisioterapeuta, é uma deles. Ele solicitou que o município reforce a orientação aos motoristas do transporte público sobre o acesso livre de cão-guia nos ônibus, terminais e nas estações-tubo. Para isso, será agendada uma reunião com o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, nos próximos dias.

Outra demanda foi referente à empregabilidade da PcD. Segundo os participantes da reunião, as vagas de emprego para pessoas cegas são restritas, mesmo para aquelas com qualificação profissional.

“Para que o assunto seja debatido, faremos uma reunião com empresas e representantes do Ministério Público do Trabalho, no próximo dia 4 de setembro. Precisamos sensibilizar as empresas e promover o ingresso da pessoa com deficiência no mercado de trabalho”, ressalta Denise.

Ela relembra o avanço na área da empregabilidade com a instalação do posto do Sistema Nacional de Emprego (Sine), que começou a funcionar em julho, na sede assessoria. “Agora, oportunizamos as vagas, além de qualificar os candidatos e conscientizar as empresas para a contratação de pessoas com deficiência”, ressalta.

No dia 13 de setembro será realizado o II Encontro de Pessoas com Deficiência Visual, também na sede da assessoria.

Um novo olhar

Nos momentos de lazer Dexter é um cachorro comum, mas durante a maior parte do dia é um cão que trabalha. E muito. O flat-coated retriever de 5 anos é o cão-guia do Roberto Leite, 53 anos.

Ele foi o primeiro cão a ser entregue, em Curitiba, pelo Instituto Federal Catarinense, uma das sete instituições que promovem adestramento de cães-guia para um programa federal do Ministério da Educação e da Secretaria de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O projeto começou em 2013.

Leite nasceu enxergando, mas aos 7 anos começou a perder a visão gradualmente em decorrência de uma doença, a retinose pigmentar. Aos 43 anos, perdeu completamente a visão e hoje conta com o auxilio do Dexter para guiar os seus passos.

Com apenas 70 dias de vida, o cachorro começou o treinamento, que leva, em média, dois anos para ser concluído. Leite conta que passou por um período de 21 dias de capacitação até estar habilitado a ter um cão-guia. “Tenho uma rotina bastante agitada. Atendo meus pacientes em casa. Uso o transporte coletivo e ando muito a pé pela cidade. O Dexter mudou minha rotina pra melhor”, diz ele.

O fisioterapeuta conta que muitas pessoas não sabem como agir diante do cão-guia. “A maioria não sabe da permissão para entrar com cães-guia em todos os locais e é difícil convencer as pessoas de que brincar com o cachorro pode distraí-lo de sua atividade”, disse.

Mesmo enfrentando algumas dificuldades, ele mantém uma rotina comum e afirma que o cão “é muito mais que o melhor amigo do homem. É através do olhar do Dexter que eu vejo o mundo”, ressalta.

Legislação

A Lei Federal 11.126, de 27 de junho de 2005, assegura à pessoa com deficiência visual o direito de ingressar e de permanecer com cão-guia em estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo e meios de transporte.

De acordo com a lei, constitui ato de discriminação qualquer tentativa de impedir ou dificultar, com interdição e multa.

 

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